Linux nos processadores M1 da Apple? – É complicado

Em 2020 uma das maiores transições no mundo da tecnologia aconteceram quando a Apple anunciou que seus computadores deixariam de usar processadores x86-64 da Intel, migrando para processadores ARM feitos pela própria empresa, conhecidos como M1. Essa não é a primeira transição da Maçã, que já viveu mudanças de arquitetura por exemplo ao migrar de PowerPC para Intel, mas agora, a promessa é que a arquitetura ARM traga mudanças significativas para os computadores.

Os processadores com arquitetura ARM já dominaram o mercado de dispositivos móveis, pois seu design é otimizado para possuir menos instruções redundantes ou específicas, extraindo o máximo de performance com o menor custo energético. Os processadores Exynos da Samsung, Snapdragon da Qualcomm e claro, a linha A da Apple movem os smartphones atuais, e já rivalizam processadores de computadores desktop em testes de performance. 

Agora, já existem no mercado os frutos do investimento da Apple na arquitetura: O processador M1 encontrado nos novos MacBook Air, MacBook Pro e Mac Mini são feitos pela própria empresa, com CPU, GPU e RAM no mesmo pacote, e uma arquitetura unificada de memória. Como essa transição afeta os computadores da Apple e a indústria? E como ficam os usuários de Linux na história? Veja a seguir. 

Controle total

Faz tempo que a filosofia por trás dos produtos da Apple é o controle: Do hardware ao software, a empresa tenta criar cada componente por si mesma e controlar a experiência do usuário. Por um lado, o controle exacerbado pode ser muito danoso, removendo opções de customização e até mesmo ameaçando a privacidade do usuário. Em versões recentes do macOS, por exemplo, somente através do uso de uma VPN com app nativo é possível evitar a coleta de dados sobre o uso dos programas instalados na máquina.

Por outro lado, as vantagens podem ser enormes: A integração total do hardware do M1, juntamente à arquitetura ARM customizada, recursos de software como a API Metal e a Rosetta trazem um poder impressionante: O novo MacBook Air não possui ventoinhas, mas é capaz de editar vídeos em 4K, a bateria alcança 14 horas de uso pesado, a performance para jogos supera a Vega 8 de APUs da AMD e a emulação de aplicativos x86 é tão rápida que, em alguns casos, os programas rodam mais rápido que versões nativas para Intel. 

A preocupação sobre o controle é que, agora, assim como os aparelhos iOS, os novos Macs possuem toda a cadeia de boot até execução de apps verificada e autorizada pela Apple, ou seja, a empresa tem o poder de decidir qual código deve ou não ser executado na máquina. Diferentemente de versões antigas de MacBook, já não é possível rodar Linux nos computadores, e não há versão compatível do Windows para usar o recurso Bootcamp. 

Linux está de fora no M1? 

Linux no M1
Linux no Apple M1?

A princípio, realmente não é possível executar o Linux em computadores M1. Até mesmo Linus Torvalds queria Linux no M1, mas demonstrou sua frustração, afirmando: “A Apple até pode rodar o Linux na nuvem, mas os laptops não fazem isso. Estive esperando por um notebook ARM que rodasse o Linux por muito tempo. O novo Air poderia ser quase perfeito, tirando o sistema operacional. E eu não tenho tempo para mexer com ele, ou a inclinação para brigar com as empresas que não querem ajudar”

Isso não quer dizer que toda a esperança esteja perdida. Como o Linux é melhorado e trabalhado pela comunidade, já existem projetos para suportar os novos computadores da Apple. O engenheiro de software Hector Martin abriu um projeto no Patreon para financiar seu trabalho de portar o Linux para processadores M1. A parte mais complicada é o suporte para a GPU incluída no pacote M1, uma vez que não existem drivers para a solução customizada da Apple. 

Outros projetos exploram as ferramentas de segurança e a cadeia de boot dos novos Macs com M1, buscando exatamente quais são os limites entre o que o usuário pode ou não modificar. Já é aparente que a partição do sistema, por exemplo, é intocável e qualquer alteração pode invalidar toda a sequência de boot. Por outro lado, é possível ativar modos avançados e entrar nas opções de UEFI para dar boot em outros sistemas compatíveis, quando estes existirem. 

ARM irá transformar a indústria 

Os computadores da Apple com chip M1 certamente são impressionantes, mas pouco acessíveis e muito limitados. A verdadeira revolução para indústria será quando processadores ARM dominarem o mercado. A gigante Nvidia já anunciou a compra da ARM, enquanto a Microsoft já trabalha em versões do Windows para CPUs ARM. Os ganhos de eficiência, redução no consumo de energia e calor, e a possibilidade de integrar tecnologias como modem 5G, modo sleep ultra-rápido e memória extremamente veloz prometem mudar os computadores. 

Um exemplo já pode ser encontrado nos computadores com M1, mesmo que não sejam modelos de alta performance como o Mac Pro: Graças a arquitetura M1, a velocidade de leitura de dados do SSD interno é extremamente mais rápida que um SSD comum. A arquitetura ARM irá ser extremamente comum e relevante desde notebooks até desktops, e o Linux certamente contará com grandes otimizações para melhorar ainda mais a performance e reduzir o consumo de energia dessas máquinas. Gosta do design do macOS mas não das limitações da Apple? Veja como está o Endless OS, distro Linux com inspiração no Mac!

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